Santa Catarina de Sena - Virgem
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 (1347-1380)


Santa Catarina de Sena nasceu em Siena, na Toscana, no ano do Senhor de 1347. Seu pai, Jaime Benincasa, era tintureiro naquela cidade, e ela foi a mais nova de sua numerosa família. Ainda muito pequena, procurava retirar-se à solidão, à imitação dos Padres do Deserto, e, aos sete anos de idade, consagrou-se a Deus por voto de virgindade.



Quando cresceu, seus pais empenharam-se em persuadi-la a contrair matrimônio; por esse motivo, a santa teve de suportar duras perseguições domésticas, as quais sofreu com invencível paciência e constância. Por fim, seu pai convenceu-se de que tal resolução vinha de Deus e ordenou que não mais se opusessem a seus piedosos desígnios. Catarina passou então alguns anos numa vida de rigoroso recolhimento e, por volta dos dezessete anos, recebeu o hábito da Terceira Ordem de São Domingos, sendo, ao que se diz, a primeira mulher solteira admitida naquela irmandade.


Continuou, todavia, a viver na casa paterna, dedicando-se aos exercícios da oração e à prática das mais severas austeridades. Foi vontade divina que fosse provada por graves tentações, sobre as quais sua humildade e inabalável confiança em Deus lhe asseguraram constante vitória. Foi milagrosamente instruída na leitura e na escrita, e Nosso Senhor dignava-Se muitas vezes recitar com ela o Ofício divino em seu pequeno aposento.


No último dia do Carnaval do ano de 1367, foi visivelmente desposada por Nosso Divino Senhor; e, alguns anos mais tarde, Ele Se dignou conceder-lhe o misterioso favor da troca dos corações e a impressão dos sagrados estigmas. Após seus desposórios místicos, começou a sair do retiro e a tomar parte nos deveres domésticos. Nosso Senhor lhe ensinara a buscá-Lo e encontrá-Lo em Suas duas moradas prediletas: o Sacramento de Seu amor e a pessoa dos pobres.



Ela se aproximava com grande frequência da Sagrada Mesa, numa época em que a comunhão frequente estava longe de ser comum; diz-se que sua influência e exemplo contribuíram poderosamente para o renascimento dessa salutar prática. Conforme sua própria máxima — “o amor que concebemos por Deus devemos dar à luz em obras de caridade para com o próximo” — passou a exercer os mais heroicos serviços de caridade. Mais de uma vez, sua abnegação foi retribuída apenas com as mais negras calúnias e ingratidões; mas sua doçura e paciência triunfaram, e sua oração perseverante reconduziu seus perseguidores a Deus. Maravilhosas conversões foram concedidas em resposta às suas fervorosas súplicas, e ela possuía extraordinário poder sobre os espíritos malignos, que frequentemente expulsava dos corpos dos possessos.


O campo de sua influência foi-se alargando gradualmente, à medida que sua santidade se tornava cada vez mais manifesta. Foi chamada a sanar as terríveis discórdias que afligiam a Itália na Idade Média, a exortar à empreitada de uma nova Cruzada contra os infiéis e a tornar-se conselheira de Papas, Cardeais e Príncipes. Os florentinos haviam-se revoltado contra a Santa Sé e, temendo as consequências de sua rebelião, suplicaram à santa virgem de Siena que intercedesse por eles junto ao Sumo Pontífice. Para esse fim, ela viajou a Avinhão, onde então residia a Corte Pontifícia, e ali conseguiu persuadir Gregório XI a regressar a Roma.


A santa voltou a Florença como embaixadora do Papa e, após muitos sofrimentos e perseguições, conseguiu realizar a reconciliação daquela cidade com a Sé Apostólica. Ditou alguns sublimes tratados em estado de êxtase, posteriormente publicados sob o título de “O Diálogo”. Conservou-se também grande número de suas cartas, dirigidas a pessoas de todas as classes e condições; nelas se encontram as mais belas e práticas instruções sobre a vida espiritual.


Santa Catarina empenhou-se grandemente em sustentar a autoridade da Santa Sé durante o doloroso cisma que se seguiu à morte de Gregório XI. Seu sucessor, Urbano VI, chamou-a a Roma no fim do ano de 1378, para valer-se de seus prudentes conselhos. Os últimos dezessete meses de sua peregrinação terrena transcorreram na Cidade Eterna. Ali rezou, sofreu e, por fim, ofereceu sua vida como vítima pela Igreja e por sua Cabeça visível, a quem chamava carinhosamente de “o Cristo na terra”. O sacrifício foi aceito; e, após muitas semanas de sofrimentos lancinantes do corpo e da alma, heroicamente suportados, partiu para junto de seu Esposo no domingo, 29 de abril do ano do Senhor de 1380.


Foi canonizada no ano de 1461 por Pio II, também natural de Siena, o qual escreveu de próprio punho o Ofício litúrgico da santa.


Não podemos concluir melhor esta breve notícia do que citando duas das máximas prediletas de Santa Catarina, ensinadas a ela por Nosso Senhor nestas palavras:

“Não deves amar a Mim, nem ao teu próximo, nem a ti mesma por ti mesma; mas deves amar tudo unicamente por Mim”;

e ainda:

“Faço em tua alma como que uma pequena cela espiritual, fechada com o material de Minha Vontade… a qual deve envolver de tal modo todas as faculdades de teu corpo e de tua alma que jamais fales senão do que julgares agradar-Me, nem penses ou faças coisa alguma senão o que acreditares ser-Me agradável.”


Oração

(Ver Festa da Transladação)

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