Ser bom por essência é próprio de Deus?
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I, A6, Q3

Parece que ser bom por essência não é próprio de Deus.

I. Como se viu acima, o uno é convertível com o ente, assim como o bem. Ora, todo ente é uno por essência., como mostra o Filósofo no livro IV da Metafísica. Logo, todo ente é bom por essência.

No título, proprium é distinto de commune. - Por essência, ela pode determinar o sujeito ou predicado. E se de fato ela determina o sujeito, então per essentiam se distingue de tudo que está fora da essência do sujeito. E nesse sentido: Deus é bom em sua essencia, Ele é formalmente bom, e não através de algo fora de Sua essência. Mas se a expressão 'essencialmente' determina o predicado, então ela se distingue de tal ser por participação. E nesse sentido: se Deus sozinho é bom em essência, ou seja, ele é bom, sem sentido partitivo. Agora é chamado assim por participação, o que quer que tenha algum aspecto formal. Não pertence a tal razão formal, segundo toda a plenitude da perfeição possível. Pois o que é desse tipo deve ter apenas uma parte dele; e, portanto, tal é dito pela participação. E pela situação oposta, assim se diz por essência, porque a partir de seu próprio modo de ser, fecha naturalmente toda a plenitude possível àquela razão formal; como calor, se subsistisse por si mesmo.

Cardeal Caetano, In primam partem commentaria

II. No presente caso, porém, embora por causa da questão esses dois métodos coincidam, seguindo a doutrina do s. Thomas (já que o que é essencialmente bom no primeiro modo, também é essencialmente bom no segundo modo, e vice-versa); porque, no entanto, esses dois caminhos não coincidem formal e universalmente (já que Sócrates é essencialmente um homem, e ainda assim não é um homem em essência, mas por participação o próprio bem por sua essência, e não diretamente da própria essência divina (já que a simplicidade da terceira questão já foi estabelecida, e que nada lhe pertence por algo acrescentado à sua essência); portanto, ele se mantém essencialmente por parte do predicado e se distingue dele pela participação; e é o sentido, como dissemos acima.

E isso até aqui é da parte do expoente afirmativo, pois da parte da negativa, a expressão 'essencialmente' se mantém por parte do sujeito, e é o sentido, como dissemos acima. E todos os argumentos da carta favorecem esse sentido, e a razão atribuída no corpo. De onde é principalmente contestado aqui exclusivamente por causa do expoente negativo, como se fosse afirmativo da terceira questão.

2. Além disso, se o bem é aquilo para o qual tudo tende, e o ser é o que todos desejam, segue-se que o ser de cada coisa é o seu bem. Ora, cada coisa é ente por essência. Logo, cada uma é boa por essência.

RESPONDo. Só Deus é bom por essência. Com efeito, cada coisa diz-se boa na medida em que é perfeita. Ora, a perfeição de cada coisa é tríplice: I . Na medida em que ela é constituída em seu próprio ser: 2. Conforme lhe são acrescentados alguns aci­ dentes necessários à perfeição de seu agir; 3. Enfim. a perfeição de uma coisa está em que alcança alguma outra coisa como seu fim. Por exemplo: a primeira perfeição do fogo consi�te em ser, por sua forma substancial; a segunda, con­ siste no calor, leveza, secura etc.; e sua terceira perfeição está em que repousa em seu lugar. Ora, essa tríplice perfeição não convém a ne­ nhum ser criado em virtude de sua essência, ma!-. somente a Deus. Pois Ele é o único cuja essência é seu ser e a quem nenhum acidente é acrescen­ tado; pois o que é atribuído aos outros por aciden­ te lhe convém de modo essencial como ser pode­ roso, sábio etc., como já foi dito. E a nada é Ele ordenado como a seu fim. Ele próprio é o fim último de todas as coisas. Fica claro então: so­ mente Deus tem a perfeição total segundo a es­ sência. Portanto, só Ele é bom por essência.

III. No corpo a unica conclusão responde à pergunta afirmativamente: Só Deus é essencialmente bom.

A prova é esta exclusiva quanto aos dois expoentes ao mesmo tempo, portanto. Uma tríplice perfeição, a saber, enquanto uma coisa é constituída em seu ser, etc., pertence somente a Deus por sua essência; portanto, ser perfeito, ser bom. Logo, somente Ele é essencialmente bom.

O antecedente torna-se claro distinguindo os três níveis de perfeição da coisa e mostrando um a um que o quiditativamente pertence somente a Deus: primeiro em si mesmo, segundo pelos acidentes, e em terceriro o seu fim último. A primeira consequência fica evidente a partir de uma divisão suficiente. O segundo está comprovado; porque tudo é bom na medida em que é perfeito. O terceiro é deixado auto-evidente.

Cardeal Caetano, In primam partem commentaria

IV. A cerca do antecedente, quanto ao primeiro, é duvidoso que a existência em todas as coisas sem Deus seja diferente da essência. Mas isso é discutido em * outro lugar.

Haveria uma segunda dúvida sobre como nenhuma essência é o princípio de operação; mas isso será perguntado abaixo.

Para isso, porém, basta saber que o ser e os princípios de funcionamento estão formalmente fora das essências de todas as substâncias; Mas na substância de Deus todas as coisas são formalmente fechadas. A intenção da carta, no entanto, é sobre inclusão e exclusão reais, e não apenas formais.

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